terça-feira, 29 de outubro de 2013

Ervilhices...


Então boa noite, fregueses! Cá venho à vossa presença, fazer alguns esclarecimentos que considero relevantes, neste momento crucial para o mundo em geral, e para esta xafarica em particular. Como isto me está a soar muito formal, vou já abandalhar a coisa, senão a clientela ainda pensa que se enganou na porta. Eis as ervilhices que se impõem:

Ervilhice #1 As receitas que publico destinam-se a alimentar as 4 bocas cá de casa. A saber se não apanharam o Previously: Ervilha Maria, esta que vos fala, Zé do  Polvo, o meu mais que tudo, Maria Achocolatada, a minha mai' velha, e Bróculo Júnior, o meu mai' novo. Salvo não tão raras excepções (que a Ervilha é menina que gosto de regabofe), em que a casa se enche de bocas famintas e gargantas secas. Para meu confesso gáudio e deleite (menos a parte de lavar loiça).

Ervilhice #2 Dado o exposto na Ervilhice acima referida, salvo indicação em contrário, as quantidades prescritas nas receitas servem para os 4 da vida airada. Confesso que as quantidades não são coisa que me apoquente muito, pois nada me faz mais feliz que um tupperware no frigorífico e/ou congelador, pronto a satisfazer uma necessidade alimentícia momentânea, acompanhado por uma necessidade de nada fazer.

Ervilhice #3 As receitas que publico são da minha autoria. Quando não o são, refiro a proveniência sem qualquer pudor, e normalmente em jeito de homenagem. Todas elas estão testadas por mim, claro está, como as fotografias comprovam. É, claro, que não estou a inventar a pólvora, e é possível que encontrem prescrições parecidas com as minhas. Estas que aqui vão encontrar são tão só, à la Ervilhe Marie.

Ervilhice #4 Ervilha Maria não tem qualquer formação em culinária. Apenas, 13 anos de experiência on-job, carreira auspiciosa que começou no dia em que fui obrigada a fazer a primeira sopa para a minha filha. Fora isso, múltiplos workshops: horas na cozinha, ao lado de senhora minha mãe e senhora minha sogra, ambas cozinheiras profissionais.

E por hoje é isto. Se tiverem dúvidas, dilemas existenciais, qualquer coisa para partilhar não hesitem: 

Ervilha Maria no mail: ervilhemarie.blogspot.com
Ervilha Maria no twitter: https://twitter.com/ErvilheMarie
Ervilha Maria no facebook: https://www.facebook.com/ervilhemarie

E agora vão para dentro, que já são horas de jantar.






segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ervilha Maria no Facebook, Ervilha Maria no Twitter!


É bem conhecida a minha predilecção pela chamada música pimba, e esta é perfeita para dar o mote ao post de hoje. Ervilha Marie atirou-se às redes sociais como um gato ao bofe, e tcharan:

Ervilha Maria no twitter: https://twitter.com/ErvilheMarie

Ervilha Maria no Facebook: https://www.facebook.com/ervilhemarie

Agora ide. Fazei likes, retweets, partilhai posts, usai hashtags como se não houvesse amanhã. Não vou postar gatinhos fofinhos, nem fotografias de luar com frases motivacionais. Mas vou postar fotografias de comer, e diz que isso tem muita saída.






sábado, 26 de outubro de 2013

Isto não é plágio, é uma homenagem #1


Como começar a falar sobre Nigella Lawson? Como adjectivar "A Nigella"? A Nigella é a Linda Lovelace da culinária. Melhor, a Sasha Grey. Porque a Nigella é cool. Faz obscenidades com barras de chocolate e óleo quente, e continua a ser cool. 

A Nigella é a Scarlett Johansson do "comer"! E não é uma Scarlett Johansson qualquer. É a Scarlett do Match Point, de camisa branca, à chuva num prado. Só que a Nigella agarra-se a um almofariz, malaguetas e coentros, e não ao Jonathan Rhys Meyers. Mas como soubemos recentemente, ela escolhe melhor ervas aromáticas, do que homens. Mas adiante.

Esta receita é uma cover de uma maravilha que vi a Nigella protagonizar no pequeno ecrã, com um lombo de porco a fazer contra cena. E que contra cena, meus amigos. Uma contra dança que enche a tela, qual Mia Wallace e Vincent Vega. Asseguro-vos que depois de provado, ficar-vos-á na memória, qual twist psicotrópico. Atentai, então:

Lombo de Porco à la Nigella

Tempo de preparação: Isto é coisa para demorar

Despensa:

1 lombo de porco aberto em três
3 dentes de alho ralados
1 colher de chá de oregãos
8 fatias de presunto
1 raminho de salsa
Fio de cozinha
1 cebola grande às rodelas finas
Azeite
Sal e pimenta preta moída q.b.
20 cl de vinho branco

A parte divertida:

Escarrapacha o lombo (previamente aberto pelo simpático do senhor do talho), e embora recheá-lo de coisas boas: esfrega os três alhos esmagados, polvilha com os oregãos, cobre com o presunto e espalha as folhas de salsa. Feito, próximo passo!

Enrola o lombo com jeitinho e ata com o fio de cozinha, para o presunto não fugir. Cobre com um fio de azeite, esfrega o belo do lombinho, tempera com sal e pimenta (sem abusos). Cobre o fundo do tabuleiro com um fio de azeite, e espalha a cebola. 

Deposita o lombo de porco  em cima, rega com o vinho branco, e leva ao forno 75 minutos a 200 graus. Tira do forno, deixa descansar 10 minutos, fatia, cobre com o molho do assado e as cebolinhas reluzentes, et voilá!


 Post scriptum: Queridos, estou a mudar o blog. E não estou sozinha, não! E não, não estou a falar do Gustavo Santos, não se assustem. Mas se estiverem muito interessados no dito cujo, procurem na secção da livraria mais próxima com o título: " Ex-membros de boys band com o talento vocal de um surdo mudo de nascença,  apresentadores com a naturalidade de um cão de loiça, e gurus espirituais do You Tube, cumulativamente". Quanto ao meu comparsa, querem saber mais? Nos aguardem!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Não, filhos! Este arroz não tem cebola!



"Mãe, tem cebola?" Se eu tivesse uma nota de 100 euros, por cada vez que os fedelhos Maria Achocolatada e Bróculo  Júnior me perguntam isto, pagava a dívida soberana do hemisfério Sul. E ainda me sobrava para comprar uns sapatinhos. É certo e sabido, que quando me estou a encaminhar para a mesa com o tacho do arroz na mão, surge a pergunta sacramental: "Mãe, tem cebola?"

E sim, muitas vezes tem cebola. Quem me tira um esturgidozinho (esturgido é um refogado armado ao pingarelho, para quem não saiba), tira-me tudo. Mas algumas vezes cedo, confesso. Até porque vê-los a escolher os bocados de cebola, tipo macaquinhos a catar piolhos, traz-me sentimentos muito pouco maternais ao de cima.

Este arrozinho de cenoura para além de ser lindão, gostoso e saudável, não tem cebola, o que provoca uma celebração digna de um réveillon em Copacabana. É um espectáculo de luz e cor! Só falta colocarem-me uma passadeira vermelha da cozinha até à mesa de jantar. Cambada de interesseiros! E cá vai disto:

Arrozinho de Cenoura, livre de Cebola

Tempo de preparação: Comme si, comme ça

Despensa:

1 copo de arroz agulha (25 cl)
Azeite
1 cenoura ralada fininha
3 alhos cortados às rodelas
1 folha de louro
1/2 caldo p/ arroz
2 copos e meio de água
Sal e pimenta q.b.  
Coentros picados (à vontade do freguês

A parte divertida:

Põe o tacho ao lume, com um fundo de azeite, os alhos às rodelas e a folha de louro. Quando o azeite estiver quente, deita a cenoura e deixa saltear até murchar.

Junta o arroz e frita durante uns 3 minutos, mexendo sempre. Junta o caldo, deita a água e tempera com o sal e a pimenta (doucement com o sal, que o caldo já é salgado).

Deixa ficar em lume brando entre 12/15 minutos. Vai controlando que o arroz é matreiro. Salpica com os coentros picadinhos, et voilá!


Post scriptum: Breve, breve teremos novidade, minha gente! Ervilhe Marie encontrou um parceiro para o crime. E não podia ser melhor, palavra de Ervilha! Nos aguardem!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Roam costeletas, pequenos, roam costeletas!


Ó meus amores, meus queridos, meus doces (não, não vou dizer meus fofuxos, que eu não tenho nenhum contrato de exclusividade com a TVI que me obrigue a cantar covers da Ana Malhoa no Meo Arena), voltei! 

Razões de força maior impediram-me de partilhar o meu mix de parvoíces e lambarices diário. E porquê? 

Hipótese A: Fui sequestrada por extra terrestres, que tinham por objectivo analisar o meu extraordinário intelecto. Depois de lhes ter cantado o meu mashup do "Azar na Praia" do Nel Monteiro e o "Água não" do Toy, largaram-me no terminal de autocarros mais próximo, e cá estou eu;

Hipótese B: Estou fechada na despensa, desde que soube que a Sara Norte e o Fábio Paím estão juntos. Estava convencida que eles iam dar uma de "Bonnie and Clyde" da Reboleira. O meu marido só deu comigo hoje, quando precisou de ir buscar um pacote de leite;

Hipótese C: Tive uma crise de confiança. Convenci-me que andava a desgastar o teclado para nada, que ninguém nunca ia perder tempo a ler isto, que ninguém era pior que eu, e chorei durante três dias. Hoje constatei que o livro novo do José Rodrigues dos Santos está em primeiro lugar no top de vendas, e pensei: "que se f___!". 

Hipótese D: Perdi a m____ do cabo da máquina fotográfica para passar as fotos para o computador, passei os últimos três dias a revirar a casa, e a usar exaustivamente todo o meu extenso repertório de obscenidades. Constatando, hoje, que o passo seguinte seria arrancar o soalho e procurar nas fundações da casa, e que já tinha gasto o meu repertório de vernáculo, fui comprar uma m____ de um cabo novo (afinal ainda tinha uma reservasita, é a minha abençoada costela da Inbicta).

Pois é. Podia ser qualquer uma das hipóteses, mas infelizmente é a hipótese D. Não é a mais estimulante, e ainda para mais custou-me 20 aérios. Mas enfin, c'est la vie! Pois então, já chega de converseta, e vamos ao itinerário para mergulhar nas suculentas costeletas que aqui vos trago:

Costeletas do fundo, do meu coração

Tempo de preparação: Comme si, comme ça

Despensa:

4 costeletas de porco do fundo, grandes ( ou 8 pequenas)
1 colher de sopa de massa de alho
Sumo de 1 lima
1 colher de chá de tomilho
Sal e pimenta preta acabada de moer, q.b.
Azeite 
2 alhos "esmurrados"
1 folha de louro
1 dl de cerveja

A parte divertida:

Tempera as costeletas com a massa de alho, o sumo, o tomilho, o sal e a pimenta, e deixa-as a "roubar" o sabor aos temperos, pelo menos meia hora. Se for mais, melhor.

Leva uma frigideira anti-aderente com um fio de azeite, os alhos e a folha de louro ao lume. Quando estiver quente, leva as costeletas ao lume e cora-as, dois minutos de cada lado. 

Junta a cerveja, baixa o lume, tapa a frigideira deixa cozinhar 15 minutos. Serve com uma lima para perfumar as costeletas a gosto. Et voilá!


Post scriptum: Comer estas costeletas e não roer o osso, é aquilo a que se chama um coito interrompido culinário. Um conselho de amiga, e não digam que vão daqui. Boas noites!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

É fácil, é barato e dá milhões... de elogios!


Ervilha Maria: É claro que podes contar connosco. Sabes que regabofe é o meu nome do meio!
Amiga: Então apareçam a partir das __ horas.
Ervilha Maria: Combinado! Queres que leve alguma coisa?
Amiga: Não! Deixa estar! Não é preciso nada!
Ervilha Maria: De certeza?
Amiga: De certeza.
Ervilha Maria: Nem um docinho?
Amiga: Bem...
Ervilha: Diz que eu faço.
Amiga: Já que falas nisso... Podias trazer aquela mousse de lima?

Desde que apresentei este pedaço de mau caminho ao mundo, já tive esta conversa umas quantas vezes, com ligeiras variações, mas com o mesmíssimo resultado prático: sai uma taça de mousse para levar. 

Não interpretem este relato como um queixume, bem pelo contrário. Uma taça destas faz-se com menos de uma nota de cinco aérios, em pouco mais de quinze minutos (fora o tempo no frio), e passo a noite a ser elogiada. Que mais pode Ervilhe Marie querer? Apanhar, num beco escuro, certo e determinado cantor de música popular portuguesa, que foi condenado por violência doméstica, e dar-lhe com um taco de basebol nos cornos? Também me parece bem doce, mas é melhor ficar-me pela mousse de lima.

Devo acrescentar que, se assim o entenderem, podem servir apenas a mousse, sem os entalados. Fica supimpa na mesma. Esta versão manda mais sainete, e eu estava numa de vos impressionar. Pode não parecer, mas Ervilha Maria é um ser humano sensível que se preocupa com a opinião dos outros. A menos que se tratem de cantores que se esqueceram da ternura dos 40, e alimárias similares. Mas adiante. Eis as instruções:

Mousse de lima com morangos "entalados"

Tempo de preparação: Comme si, comme ça

Despensa:

4 iogurtes naturais
1 lata de leite condensado magro
3 limas
500 g de morangos lavados e cortados em quatro
2 colheres de sopa de açúcar em pó
2 colheres de sopa de vinho do Porto

A parte divertida:

Leva os morangos ao lume brando (com excepção de um “bonitinho” para decorar), com o açúcar e o vinho do Porto. Bastam aproximadamente 5 minutos, o tempo suficiente para o açúcar derreter e os morangos ficarem “lustrosos”, que é como quem diz, dá uma “entaladela” nos morangos. Deixa arrefecer.

Agora a mousse: envolve o sumo das limas nos iogurtes, até ficar homogéneo. A seguir junta o leite condensado, e mistura até estar tudo bem envolvido.

Por último, vamos tratar das camadas e das mariquices: numa taça coloca metade dos morangos, metade da mousse, o resto dos morangos e o resto da mousse. Cobre com raspa de lima e um moranguito com pé e tudo, e leva ao frio pelo menos duas horas e meia (para apressados, podem colocar no congelador). Et voilá!


Post scriptum: O morango que protagoniza esta foto é da horta do meu marido. Digo dele e não nossa, porque é área onde não me intrometo.  A bem da saúde da colheita, diga-se de passagem, porque eu estou para as plantas, vegetais e outros que tais, como a kriptonite está para o Super Homem. Para além de que andar de sachola na mão, não é bem a minha praia (mas gosto muito da palavra sachola). Assim, aqui ficam os meus agradecimentos ao agricultor envolvido neste processo. Querido, hoje um morango, amanhã quem sabe... dois morangos. O céu é o limite!


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Batatas? Gostas pouco, gostas...



Fritas, cozidas, assadas, em puré, gratinadas, a murro... Ora, batatas! A fazer-nos felizes desde a infância. Quem nunca fugiu a uma palmada pedagógica por roubar uma batata frita ainda em brasa, que atire a primeira pedra. Quem nunca lambeu a colher de pau do puré de batata, não viveu.

Estas são as minhas batatas assadas, e servem para acompanhar quase tudo. O pior que pode acontecer é suplantarem o/a companheiro/a de prato. É por estas e por outras que há quem deixe a apresentação dos/as amigos/as giraços/as, para depois da fase de negociação com o objecto de desejo. True story!

Devo confessar uma das coisas que me faz adorar estas batatas, à beira da obsessão: odeio, detesto, abomino descascar batatas. E estas batatas são indulgentes com a minha preguiça e amigas do meu palato. Que mais posso desejar? O exílio do Miguel Sousa Tavares, se calhar. E já agora podia levar a Margarida Rebelo Pinto, aposto que dá um belo porta-fatos. Sonhos à parte, cá vai a prescrição para hoje. Aqui por casa,as batatas vão fazer parceria com umas salsichas de churrasco grelhadas e uma bela saladonga de tomate e oregãos. É pouco bom, é:

As minhas batatas assadas

Tempo de preparação: Comme si, comme ça

Despensa:

1 kg de batatas pequenas, cortadas às rodelas (espessura de um dedo, mais coisa, menos coisa)
Azeite
Sal e pimenta preta q.b.
½ colher de chá de alho em pó
1 colher de chá de tomilho seco

A parte divertida:

Coze as batatas às rodelas, apenas com sal, sem deixar que fiquem moles.
Cobre o fundo de um pirex grande (para que as batatas não fiquem amontoadas) com azeite, espalha as batatas, e rega com mais um pouco de azeite.
De seguida, cobre as “meninas” com os restantes ingredientes, e remexe-as para que fiquem todas envolvidas nos temperos.
Por fim, forno com elas até ficarem douradinhas, isto é, cerca de 15 min a 210º. Et voilá!


Post scriptum: Já fiz estas meninas com oregãos, com alecrim, e também ficam boas, boas, boas, como as gajas de Ermesinde. E também podem usar dentes de alho bem picados, em substituição do alho em pó. Mas esta versão é a que reúne o consenso familiar: Ervilha Maria a favor do tomilho, Bróculo Júnior e Maria Achocolatada a favor do alho em pó (trincar alho é coisa que não lhes assiste), e Zé do Polvo... Bem, para ele está tudo bem, desde que não seja pescada cozida. Ah, nota importante: se os meus vizinhos virem isto, foi o meu marido que roubou as buganvílias. Desculpa, amor, eu levo-te biscoitinhos à prisão.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

SOS: utilizar em caso de ruptura de stock. E sempre que te apetecer, vá!




Aquele momento em que percebes que para o teu frigorífico parecer uma cidade fantasma, só faltam rolos de feno empurrados pelo vento.  Para ajudar, o congelador está cheio... de gelo, e objectos não identificáveis que congelaste ainda o Carlos Cruz era o Senhor Televisão. 

Larga o telefone, aquelas pizzas são uma trampa! Gastas dinheiro desnecessário, e acabas a noite com a boca a saber a refinaria. Mas no dia seguinte, podes sempre beber uma garrafinha cheia de esteróides activos regulares ou lá o que é isso, e vais ver que fica tudo tão bem, que acabas o dia a correr na praia com um golden retriever ou um labrador (mesmo que não tenhas um. diz que vem incluído nas garrafinhas).

Esta receita é um excelente plano de emergência, pois é feita com ingredientes de pequeno almoço, na sua maioria, pelo que há boas probabilidades de existirem, mesmo que estejas à espera do dia de São receber para ir ao supermercado. 

Esta receita é uma variação do croque monsieur, receita francesa que deu origem ao torpedo de calorias nortenho: a francesinha. Este meu  "recheio" de mortadela, queijo fundido e mostarda em grão, após várias experiências, é o que mais me agrada, porque... é muita bom. Sim, acho que é isso. Mas sintam-se livres de dar asas à imaginação.

Este petisco foi baptizado  pelo meu filho, que teima a pronunciar "croque mussuá", apesar das minhas tentativas infrutíferas de o corrigir.Das duas uma: ou não consegue mesmo pronunciar "croque monsieur" e herdou do pai a inaptidão para o francês, ou tem a mania que é engraçadinho, e já perceberam a quem é que ele sai... Mas deixemo-nos de entretantos e passemos aos finalmentes:

Croque Mussuá

Tempo de preparação: Tipo Lusco-fusco

Despensa:

8 fatias de pão de forma
4 fatias de queijo fundido
4 fatias de mortadela de perú
Mostarda à antiga, a que tem as sementes (à consideração do freguês, pode ser mostarda “normal”) 
1 ovo grande batido, com 2 colheres de sopa de leite, e uma pitada de sal e pimenta
1 colher de sopa de margarina líquida

A parte divertida:

Isto é tão fácil que até chateia: barras 4 fatias de pão com a mostarda, e monta as 4 sandes com uma fatia de queijo e uma de mortadela de perú, e pressiona um pouco as sandes. Derrete a manteiga numa frigideira anti-aderente, e passa as sandes na mistura do ovo. Frita as sandes cerca de 3 a 4 minutos de cada lado, et voilá!


Post Scriptum: Apesar de não se tratar propriamente de um prato principal, esta quantidade serve perfeitamente 4 pessoas como tal, com uma salada risonha e fresca a acompanhar. Nota importante: esta receita é óptima para aqueles domingos em que acordas às 13:30, desprovida de qualquer noção de tempo e espaço, e com a boca a saber a papel de música. Sim, é de ressaca que eu estou a falar. Para o caso de não terem percebido.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Quando o chato do esparguete se transforma num espectáculo de luz e cor


Por vontade dos fregueses cá de casa, comia-se massa todo o santíssimo dia. Nomeadamente esparguete. Aliás, 9 em cada 10 vezes que esta querida vai laurear a pevide, e a alimentação dos pequenos fica entregue ao pai: omelete com esparguete (para deleite e satisfação dos três, diga-se em abono de verdade). Deus me livre! há que dizer que o senhor faz as omeletes mai lindas do mundo, mas com esparguete?  Fica tão bem como, sei lá... a Luciana Abreu a cantar o Sol de Inverno, ou neste caso de Inberno, carago. "Sonhos que bibi...", meus amigos?

E como se não podes vencê-los, junta-te a eles (se o Portas e o Passos Coelho usassem uma aliança para simbolizar a coligação, aposto que mandavam gravar esta frase), dedico-me a vestir o esparguete de múltiplas formas. A bem da paz familiar e das minhas papilas gustativas. 

A cenoura para mim é, como hei-de dizer, uma das melhores coisas do mundo. Se eu ainda não fiquei laranja, é por mero acaso. Ou porque também como muitas ervilhas, e a coisa equilibra-se. É que além de extremamente deliciosa, a cenoura transforma os pratos num espectáculo de luz e cor. E o que eu gosto de espectáculos de luz e cor... Eu e o Manuel Luís Goucha.

Este spaguetti lindo de morrer é bom que se farta, tão simples quanto isso. E não há mais ditos até à morte. Experimentem e depois digam qualquer coisa:

Spaghetti com cenoura e courgette

Tempo de preparação: Tipo Lusco-fusco

Despensa:

½ pacote de spaguetti
Azeite
3 dentes de alho ralados
Salsa (quantidade à consideração do freguês)
2 cenouras raladas (fininhas)
1 courgette ralada (com casca)
2 colheres de sopa da água da cozedura do spaghetti
Sal e pimenta q.b.
Queijo parmesão

A parte divertida:

Coze o spaghetti apenas com sal e um fio de azeite, até estar al dente, que é como quem diz cozido, mas rijinho.

Aquece um pouco de azeite, e junta salsa picada e três alhos ralados, sem os deixar ficar castanhos, mexendo. Assim que estiver loirinho, junta a cenoura e dois minutos depois as courgettes. Tempera com sal e pimenta, tapa, e deixa em lume brando até os legumes estarem molinhos (cerca de 8/10 minutos).

Junta o esparguete aos legumes, e a água da cozedura, e mexe até estar bem incorporado. Por fim, retira do lume, polvilha com mais um pouco de pimenta moída no momento, salsa picada, e rala o queijo por cima. Et voilá!


Post scriptum: E eis que se passaram sete dias, já postei sete receitas. Is anybody out there? Se sim, enviem-me os vossos comentários, sugestões, presentes, transferências bancárias... Estão à vontade. Se fôr me chamar nomes, deixem lá isso, não se macem. Comam antes uma peça de fruta. Tudo de bom  é para aqui: ervilhemarie@gmail.com. Merci!

Um presente para vocês: Salmão que não é um bocejo!


O meu excelso marido Zé do Polvo recebeu este heterónimo, porque é amigo da faina. Já para não falar da ideia absolutamente peregrina de colocar um aquário na sala...com um polvo. Sim, leram bem! E sim, este assomo de genialidade foi causado por uma reportagem de um polvo que tinha aprendido a tirar caricas a cervejas. Embora, ele me tente convencer do contrário. E sim, o projecto foi vetado pela presidenta da república cá de casa.

Zé do Polvo faz caça submarina, apanha marisco, enche-me o frigorífico com minhocas NOJENTAS (acreditem que merece inteiramente o caps lock) para pescar à cana: é um autêntico homem do mar (apenas nas horas livres para seu desgosto, pois tenho tenho para mim que ele é mais feliz entre marés e correntes, do que entre decretos e  artigos. C'est la vie!).

É certo que isto de ter um Neptuno em casa traz-me algumas palpitações, porque há mar e mar, há ir e voltar. No entanto, é facto que senhor Zé do Polvo enche a nossa mesa do melhor que o mar tem para dar, sempre que pode e o mar deixa. 

Estão vocês agora a olhar para a foto e a dizer: "Então mas o gajo apanha salmão? Andas bem enganada, ó Ervilha! Cá para mim pesca na lota do Belmiro de Azevedo! Tu põe-te a pau, mulher!" Ó gente descrente no amor e fidelidade, não é nada disso. Mulher sensível que sou, só adquiro peixe ou marisco que senhor meu esposo não possa trazer para o lar, não vá ele sentir-se ferido no seu orgulho pescador. Ou isso,ou estou tão mal/bem habituada que o que não é apanhado por ele me sabe a contrafacção. Daí, adquirir salmão com alguma frequência, e tentar ir para além do entediante salmão grelhado.

Gosto muito destes "presentes", os senhores espectadores cá de casa também, e demora menos tempo que um intervalo da SIC. Sim, eu sei que isso não é propriamente um desafio. No outro dia, no intervalo de um CSI Miami (Horatio Caine, melhor canastrão de sempre, uma vénia), reli os Lusíadas e passei a casa toda a pano. Bem, mas vamos ao receituário:

"Presentes" de salmão

Tempo de preparação: Tipo lusco-fusco

Despensa:

4 postas de salmão
Sal e pimenta q.b.
75 g de margarina
1 limão
Salsa picada
1 colher de chá de orégãos
2 alhos ralados
1 malagueta ( à vontade do freguês)

A parte divertida:

Tempera as postas com sal e sumo de ½ limão.

Num púcaro, coloca os restantes ingredientes e leva ao lume até a manteiga estar completamente derretida (só uma pitadinha de sal, que as postas já foram temperadas).

Faz quatro quadrados de alumínios, suficientemente grandes para embrulhar as postas. Põe cada posta no centro de cada quadrado, distribui o molho pelas quatro postas e fecha bem os “presentes” de salmão, sem deixar fugas.

Leva 15 minutos ao forno a 200º. Et voilá!


Post scriptum: Este post era para ter sido publicado  ontem, mas como Ervilha Maria no domingo à noite achou que era boa ideia ver o tal filme do Scorsese às três da manhã, quando tinha de se levantar às sete da alvorada... Ontem ao final do dia, a minha eloquência estava ao nível do subsolo, não conseguia construir uma frase com sujeito e predicado, quanto mais complemento directo. Olha, tipo JJ, mas sem as madeixas. Para compensar, logo há mais! 


domingo, 13 de outubro de 2013

Simples, barato e dá conforto. E não foi comprado no IKEA


Aqueles que estão a pensar que isto não é bem uma receita, que o que não falta nas prateleiras do supermercado são frascos com molho de tomate, e tal e coiso, só tenho uma coisa para dizer: hereges. Aliás duas: ingratos!

Quem nunca comeu um singelo prato de esparguete regado com uma obscena concha de molho de tomate ainda a borbulhar, coroado com uma chuva de parmesão acabado de ralar, não viveu. Tão simples quanto isto! Esta é apenas uma das várias utilizações para este verdadeiro manjar encarnado. Muitas outras partilharei convosco, se me derem tempo, e perseverarem: bolonhesa, lasanha, cannelonni, pizza e tantos outros que vos transformam por momentos em verdadeiros Super Marios. Ganham vidas e tudo!

É simples? É. Mas como disse uma vendedora de vestidos de noiva a uma amiga do coração (casadoira na altura, muito bem casada agora), prestes a sucumbir vítima de uma overdose de rendas, brilhos e folhos, quase disposta a casar com uma bata branca de hospital: "Simples não é simplório!" É esta a essência e o encanto do meu molho de tomate: simples, mas nunca simplório.

Há dias que para complexo já chega o orçamento rectificativo. E como hoje é domingo, e já ouvi o Portas a decretar à Nação, com aquele ar de "O Rei Manda dar três passos à tesoura", olhar para este tacho de molhanga a borbulhar é coisa para confortar Ervilhe Marie. E então é assim:

Molho de Tomate

Tempo de preparação: Tipo Lusco-fusco

Despensa:

Azeite
1 cebola picada
3 dentes de alho laminados
1 lata de tomate em pedaços
1 pacote de polpa de tomate
1 dl de vinho tinto
Sal e pimenta q.b.
1 colher de chá de orégãos
1 colher de chá de açúcar amarelo

A parte divertida:

Coloca um fio de azeite num tacho, e junta a cebola e o alho a refogar. Quando estiver loirinho, adiciona o tomate em lata e em polpa e mexe. Agora, o vinho os orégãos e o açúcar, e tempera com sal e pimenta. 20 minutos em lume brando, passa tudo com a varinha mágica, et voilá!


Post scriptum: Está a começar um filme do Scorsese que eu ainda não vi, por isso ficamos por aqui por hoje, tá bom? Boa semana e não se esqueçam mais vale um parmesão na mão, que um Portas a mandar. 

sábado, 12 de outubro de 2013

Primeira Reunião dos Amigos do Salgado


Um bom salgado é coisa para me fazer feliz, confesso. É com pesar que constato que se trata de coisa quase tão difícil de encontrar como uma célula de talento no José Carlos Pereira. Deixem-me reforçar o quase. Ainda há bons salgados no mundo, ainda há esperança. Já quanto ao Zeca...

Mas falemos da minha relação de amor/ódio com um salgado em particular: a empada. As empadas merecem-me a mesma confiança que um ex-administrador do BPN. Dado o exposto, não dispenso o ritual de lhes tirar a tampa antes de lhes deitar o dente. Este meu hábito já me valeu algumas descobertas menos prazenteiras, mas creio que me poupou algumas indigestões. Ponho-me a pensar que se tivessem começado por levantar a tampa a uns e outros, e tivessem verificado a podridão do recheio... Se calhar tínhamos poupado umas coroas. Mas deixemos o MNE por agora.

Nada do acima referido me tirou o gosto pela bela da empada, pelo que Ervilhe Marie abraça a boa prática do "Faça você mesmo" para resolver a contenda. Não, não é isento de trabalho, mas garanto que é um belo programa de domingo à tarde, com miúdos a esgrimir o rolo da massa incluído.

E nem vos consigo descrever a épica maravilha que é tirar uma destas meninas do congelador, levar ao forno, e passados 20 minutos estar alapada no sofá, com uma empada fumegante numa mão, uma mini na outra e uma maratona de Hell's Kitchen pela frente. F___, yeah! Vamos a isto:

A Bela da Empada

Tempo de Preparação: Isto é coisa para demorar

Despensa:
Massa
550 g de farinha
150 g de margarina
1 pitada de sal
1 dl de água
2 ovos batidos

Recheio
2 peitos de frango desfiados (previamente cozido, com sal, um alho e uma folha de louro)
1 cebola picadinha
2 alhos picadinhos
1 colher de sopa de margarina
1 folha de louro
2 dl de água
½ caldo de galinha
½ pacote de polpa de tomate
Sal e pimenta q.b.
1 cheirinho de piri-piri (à consideração do freguês)
½ pacote de natas

Para deixar A Bela da Empada douradinha e bonitinha
1 ovo batido com uma colher de sopa de água

A parte divertida:           

Deita a farinha numa taça larga, junta uma pitada de sal e a margarina aos pedaços. Mistura bem com os dedos, até ficar com uma textura de areia grossa. Junta a água e os ovos batidos, e volta a meter as mãos na massa, literalmente, até ficar homogénea e lisinha.

Para fazer o recheio começa por fazer o refogado. Derrete a manteiga num tacho e junta a cebola, o alho e a folha de louro. Quando o refogado estiver lourinho, junta o frango, e mistura, e deixa apurar 2 minutos.

Agora, junta a polpa de tomate, o caldo de galinha , a água, o sal e a pimenta e o piri-piri, tapa. Fica em lume brando durante cerca de 15 min, e vai mexendo de vez em quando durante esse tempo.

Por fim, junta as natas, mexe bem, retifica os temperos e deixa ao lume até engrossar (bastam uns minutos, mas mantém a vigilância e vai mexendo). Aproveita agora para ligar o forno a 180º.

Chegou o momento da linha de montagem. Simples e divertido: Polvilha bancada e o rolo da massa com farinha. Estica a massa, forra as formas das empadas e corta tampas à medida das formas. Pica o fundo das empadas com um garfo e recheia as formas com o preparado, sem encher completamente. Tapa com as tampas, e dá uns beliscões à volta para fechar a empada.

Last but not the least, pincela as empadinhas com o ovo batido com água, e vão ao forno cerca de 20 min. Et voilá!


Post scriptum: acérrima devota do livre arbítrio, estão à vontade para utilizar massa de compra. Juro que não vou a vossa casa apontar o dedo. Tenho para mim, no entanto, que ficam mais gostosas assim. Mas tão à vontade, à vontadinha.